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A guerreira e a menina

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Foto: Freepik

Vou confessar algo a vocês da qual só me dei conta tarde da noite.Vai ser o desabafo do dia, na esperança de ajudar alguém na mesma situação que eu me encontrei (e certamente um capítulo do meu livro).

Como alguns já sabem, há alguns anos sigo a filosofia estóica que diz que a única coisa que temos poder são nossas ações e pensamentos. Isso soa incrível e libertador, sendo não à toa a filosofia adotada pelo imperador Marco Aurélio e escravo Epictetus. Nem a fama nem a miséria irão nortear suas escolhas, apenas a virtude e pensamento de que você tem autonomia da sua vida.Pois todas as glórias são passageiras “Sic transit gloria mundi.” 

Quando algo sai do controle na minha vida, sempre coloco um prazo. Como se eu me permitisse por um período expressar toda minha fúria, toda minha tristeza, e até me sentir vítima da situação e me lamentar o ocorrido. Se estou doente? Tenho o final de semana (nunca fico doente em dia útil). Estou triste? Tenho algumas horas. Insegura? Ah… isso pode durar alguns minutos mas não mais que meio período. Como um catálogo emoções, que libero algumas sob rédeas curtas. Já tive depressão na adolescência e a última coisa que gostaria era de reviver aquela apatia e falta de tesão pela vida. Impotência eu senti ao perder minha mãe. Medo eu senti ao ser sequestrada com uma arma na cabeça. Insegurança  eu senti ao pular de um carro em movimento na Índia quando dois homens me levavam para algum lugar que eu não sabia ao certo, e pular parecia a única saída. Caminhar com febre alta por 5km até o hospital, atravessando montanhas de lixo e miséria nas áreas pobres do Nepal? Já fiz também. Entrar em um aldeia africana sozinha com um homem e seu facão de 40cm? Também. Sobrevivência na Amazônia entre escorpiões, aranhas e cobras? Ah vah. Passar fome em missões? Também.

O problema é que tudo isso reforça a máscara de guerreira. A mesma armadura que foi útil por anos e agora pesa. E sabe porquê? Tudo que o que eu mais queria era chorar no caminho de casa enquanto me dava conta que minha única bike, a Gordita, tinha sido roubada.  A menina que habita em mim queria espaço para falar que aquela bicicleta que não valia nada economicamente falando, tinha um valor inestimável em meu coração. Por tudo que já vivemos juntas, tudo que aprendi com ela, e até meu apego na última volta que demos juntas onde por um segundo eu estava tão realizada que pensei: eu nunca vou vender a Gordita.

Pois assim foi. A Gordita nunca foi vendida pois não tinha preço, e o mais triste de tudo é que ao invés de chorar o fim desse ciclo eu optei por voltar correndo para casa em tiros nunca antes dados para provar minha força, até revirar meu estômago usando essa armadura tão pesada para provar que eu era forte ao invés de simplesmente sentar na calçada e sentir minha dor, assumir minha vulnerabilidade. Hoje, sentindo uma tempestade no peito sem tamanho eu reconheço que foram as lágrimas que não deixei cair. Vai parecer besteira. Imagina, já passou por tanta coisa maior e vai se abalar por uma bike? Pois é.. Isso que falei pra mim naquele momento mas na verdade, não era apenas uma bike, era parte da minha história que ia embora e eu não soube honrar sua partida com medo de parecer fraca, com medo de parecer ser impotente. 

Cuidado com as cobranças auto-impostas. Aquilo que foi útil para te levantar um dia, pode ser aquilo que te impede de viver na totalidade. Não há nada de errado em se mostrar humano, com falhas, com dores e até pequenas incoerências. Sim, eu fiz tudo aquilo e ainda estou sentida de tirarem algo de valor na minha vida. Apego? Talvez. Claro que sei que vou tirar de letra.. mas posso sentar e chorar um pouquinho também, não? Posso pedir colo e chocolate por algumas horas mais? Isso não anula minha história nem meu valor. Não precisamos optar em ser guerreiros inabaláveis ou crianças leves e livres. Não temos que escolher, pois como diz minha coach podemos ser tudo isso.

Então hoje minha dica é: permita-se ser quem você é, não apenas o que gostaria de ser. Sou forte mas também sou menina. E tudo bem. 

Erika Rodrigues
QUALIDADE de VIDA &NUTRIÇÃO 
Ajudo pessoas a irem além de suas limitações 
Nutricionista 
Master Coach pelo @ibccoaching 
Colunista @brasilrun e @mahamudrabrasil
ONLINE Coaching
www.erikarodrigues.com.br


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Instagram: @erikarodrigues

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